NOS BRAÇOS DA VIOLA
Música, cinema, literatura e televisão se entrelaçam Nos Braços da Viola, uma série de 26 programas,uma co-produção da Laranjeira produções e TV Brasil, que vai ao ar, atualmente, aos domingos, às 10h, pela Rede Minas. O programa busca a inovação estética e cumpre o desafio de mergulhar o telespectador no universo da viola de 10 cordas, instrumento fundador da tradição musical brasileira.
O principal desafio do novo programa é abordar a viola na sua universalidade, sua história, suas tradições e sua importância para a consolidação da cultura nacional. Ao contrário do que muitos pensam, o instrumento que ajudou os jesuítas na catequese dos índios se espalhou por todo o país, sendo levado aos lugares mais distantes por bandeirantes, tropeiros e boiadeiros em suas comitivas. Já no século 20, a radiodifusão ajudou a consolidar a música caipira, que tem na viola seu principal condutor.
A viola caipira propriamente dita está mais restrita ao interior de São Paulo, Minas e Goiás, onde recebeu influências dos batuques vindos da África. Já a viola gaúcha se alimentou da influência hispânica, enquanto a viola pantaneira abraçou ritmos como a guarânia e o rasqueado, dando origem ao chamamé.
A viola nordestina, por sua vez, conserva ligações mais profundas com a tradição dos trovadores árabes, através do repente, do cordel e do ponteado. No Recôncavo baiano, ela ajudou a inventar a umbigada e o samba de roda. Em todo o país o instrumento emprestou suas cordas ao cancioneiro popular, contribuindo para a profusão de diferentes gêneros musicais.
Riqueza sonora
Ao contrário de muitos instrumentos, a viola brasileira apresenta uma riqueza surpreendente de timbres e modelos. Além da grande quantidade de afinações, o instrumento surgido na Península Ibérica como descendente do alaúde tem a característica especial de se moldar ao instrumentista que o utiliza.
Os violeiros convidados a se apresentarem Nos Braços da Viola são de várias regiões do país e cada qual apresenta técnicas originais, o que resulta em ritmos e sonoridades diferentes. Do ponto de vista estético, há violeiros mais tradicionais, ligados às raízes da cultura popular brasileira. Também se destacam violeiros modernos, urbanos e de formação universitária, que reproduzem na viola gêneros musicais dos mais diversos, como samba, MPB, jazz, pop-rock e música erudita.
Dividido em quatro blocos de aproximadamente 12 minutos cada um, Nos Braços da Viola estreou em 8 de dezembro no formato de documentário cinematográfico, sendo todo gravado em HD Full, com uma câmera fixa em tripé e usando lentes de cinema. Os planos de filmagem são fechados, com closes e ângulos ainda hoje pouco adotados na televisão brasileira.
O ambiente de filmagem de Nos Braços da Viola lembra de fato um set de cinema, sempre com a preocupação com os detalhes de cada programa. A idéia é captar não apenas a música em si, como também a expressão física e emocional de cada violeiro. Além de entrevistas e números musicais com três violeiros (um âncora, um convidado e um mestre), o roteiro inclui reportagens de campo, homenagens póstumas, depoimentos de personalidades do mundo artístico e a presença de um pesquisador convidado, que ajuda a construir uma espécie de antropologia da viola brasileira.
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