o rock-pop chega o serTÃO
Era tempo de Tropicália, e a ponte entre o Baião de Gonzagão e a guitarra de Hendrix era asfaltada, e sem pedágio. Saulo e Heitor resolveram arriscar. Em 1973 promoveram o terceiro festival ao ar livre do Brasil, o Transa-Som-Folk-Rock-Pop no Sertão, um marco para a região e, sobretudo, para uma geração inteira de artistas. Mais de dez mil pessoas de todo o país, a sua maioria em hippies do Rio de Janeiro, invadiram Pedra Azul (Vale do Jequitinhonha) para curtir o Woodstock tupiniquim, que reunia tendências musicais tão diversas quanto a música dançante do DJ Ademir, o som pop rural de Rui Mauriti, a nordestinidade sofisticada de Jorge Mello, o rock do grupo Módulo Mil e o “som maldito”de Serguei.
A palavra Jequitinhonha parecia mágica aos ouvidos da zona sul carioca, e os milhares de panfletos espalhados nas praias e no point da época, o bar Zepelim, deram resultados. Ônibus fretados saíram do Rio e rumaram para Pedra Azul. Na entrada da cidade, os dois ônibus de roqueiros foram recebidos com um autêntico "bumba-meu-boi". Estavam quebrados preconceitos e Saulo e Heitor começaram a provar o que Caetano e Gil pregavam: "a eliminação das barreiras alfandegárias da cultura".